A empresa vai investir R$ 10 milhões até 2007 para aumentar a sua frota.
» JORNAL VALOR ECONÔMICO, Especial Logística e Transporte
Abril de 2006
Em 1994, uma grande rede de varejo que encomendasse alimentos não perecíveis considerava aceitável que a carga fosse entregue em quatro dias. No ano passado, esse prazo já havia sido reduzido para dois dias. O aumento no nível de exigência dos supermercadistas - detectado em pesquisas do Instituto Coppead de Administração, ligado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) - ilustra um paradoxo cada vez mais freqüente nas grandes cidades.
"Quanto mais o cliente exige, mais difícil é para as empresas (de logística e distribuição) atender a estes novos padrões", resume Orlando Fontes Lima Júnior, coordenador do Laboratório de Aprendizagem em Logística e Transportes (Lalt), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). "A demanda está se pulverizando e, com isso, há um aumento do congestionamento urbano. Cada residência virou um pólo atrator de serviços de distribuição. Há dez anos, não existia o ´disque-pizza´", lembra Lima Júnior.
A necessidade de atender um número crescente de clientes dentro de prazos cada vez menores é apenas parte da equação complexa que rege a distribuição de produtos nas grandes cidades. Na busca pela eficiência e por ganhos de produtividade, as empresas de logística têm nos engarrafamentos e na lentidão do tráfego nas metrópoles seus principais obstáculos. "Grandes empresas de cigarros e bebidas dividem a cidade em setores e usam até programas de computador para traçar rotas de entrega. Esses ´softwares´ combinam fatores como a velocidade do tráfego ao longo do dia e as janelas de horário em que a prefeitura permite a descarga de produtos, por exemplo", explica Maurício Pimenta Lima, coordenador da área de cursos do Centro de Estudos em Logística, do Instituto Coppead.
Uma alternativa para tentar amenizar os transtornos causados pelo trânsito caótico é a substituição de carretas por veículos menores que vão até o cliente e voltam, ao invés de ficar trafegando pela cidade. "A tendência é de termos grandes volumes de carga consolidados para transporte em grandes distâncias. Esse carregamento é dividido em lotes menores para distâncias mais curtas e clientes específicos", explica Pimenta Lima.
Dentro dessa lógica, o Sindicato das Empresas de Transportes de Carga de São Paulo e Região (Setcesp) apresentou às montadoras Mercedes-Benz e Caio Induscar sugestões para o projeto de um veículo de carga mais adequado às condições das metrópoles. O desenho do pequeno caminhão deverá privilegiar características como a alta capacidade de manobras e o máximo aproveitamento do espaço interno, além de valorizar aspectos ergonômicos. O objetivo é facilitar as operações de carga e a descarga. O lançamento está previsto para agosto.
O projeto de um veículo adaptado para o transporte e entrega de mercadorias em grandes cidades pode reforçar uma tendência que vem crescendo dentro das redes varejistas. Hipermercados que antes recebiam a visita de uma carreta a cada 15 dias preferem, atualmente, que a entrega de produtos seja feita diariamente, por pequenos caminhões, constata Lima Júnior, da Unicamp. Com entregas diárias, diminui a necessidade de espaço para armazenamento.
Além de possibilitar uma redução nos custos de estocagem, o aperfeiçoamento dos processos de distribuição de mercadorias pode diminuir despesas administrativas. Nesse caso, o exemplo vem do gigante do fast food McDonald´s, cliente do operador logístico Martin-Brower. Cada lanchonete da rede é abastecida por apenas um caminhão, que transporta diferentes tipos de carga - desde material de limpeza até alimentos - em compartimentos distintos. Os compartimentos, separados por divisórias móveis, permitem o transporte simultâneo de produtos congelados, resfriados e secos.
"A principal vantagem é que o restaurante pode receber todos os produtos de que necessita numa única entrega", diz José Augusto Santos, diretor da unidade de negócio McDonald´s, da Martin-Brower. Com isso, há um enxugamento das despesas administrativas, já que diminui a quantidade de documentos processados.
Para o presidente da Associação Brasileira de Logística (Aslog), Adalberto Panzan Júnior, o setor passou por uma grande mudança desde a década de 80. "Hoje, os custos operacionais são muito mais importantes que os financeiros, o que não acontecia na época das altas taxas de inflação", analisa Panzan Júnior, frisando que os operadores logísticos ganharam eficiência, em parte, para sobreviver com baixa inflação.
Rodrigo Carro, para o Valor, do Rio