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Caminhões de aluguel

Locação é alternativa para evitar ociosidade e cortar despesas de compra e manutenção de frota

» Revista Frota S/A
Dezembro de 2006

A empresária Adriana Neves, dona da Conebel, revenda de bebidas em São José do Rio Preto (SP), gerencia uma frota própria de 22 caminhões para a entrega de cervejas e refrigerantes a dezenas de pontos-de-venda no interior paulista. Mas nem sempre os veículos da empresa dão conta do recado. A saída, nesse caso, é recorrer a veículos alugados. “Já aluguei três caminhões para o final do ano, época em que aumenta a demanda das entregas”, diz Adriana. Segundo ela, a principal vantagem da locação é ter os caminhões disponíveis na quantidade certa, no momento certo. “Se eu tivesse mais caminhões do que preciso, eles ficariam ociosos durante boa parte do ano. Além disso, a manutenção de um veículo me custa até 300 reais por mês.”

Adriana faz parte de um número cada vez maior de empresários que lançam mão da locação de veículos para cortar despesas. Segundo as companhias que alugam caminhões, a iniciativa pode diminuir em até 30% os gastos com transporte. Isso porque, com a locação, é possível eliminar despesas como a compra de veículos novos, manutenção preventiva e corretiva, documentação e impostos.

Na AGV Logística, transportadora com sede em Vinhedo (SP), os caminhões alugados ainda são novidades no pátio. Com uma frota própria de dez veículos, a empresa decidiu aderir à prática da locação há dois meses. “Alugamos cinco caminhões e já conseguimos uma economia de 10% com combustível, graças aos motores mais novos”, afirma José Valter de Jesus, coordenador de transportes da companhia, que, entre outros produtos, distribui sorvetes Kibon na região de Campinas (SP).

Como opera com distribuição sazonal – a venda de sorvetes tende a diminuir no inverno –, a AGV ficava com muitos caminhões parados na garagem. “Um carro fora da estrada custa até 800 reais mensais para a empresa”, diz Jesus. O plano da AGV é testar os veículos alugados durante seis meses e verificar quanto, efetivamente, conseguiu economizar com serviços de oficina e impostos. Atualmente, a empresa paga cerca de 4 000 reais mensais por veículo alugado, em contratos que duram de seis a oito meses.

Grandes cargas

A locação de caminhões não é um negócio apenas para pequenos e médios empresários. Prova disso é a gigante Martin-Brower, distribuidora e operadora logística que atende à rede McDonald’s no Brasil. Com uma frota de 150 unidades, entre caminhões, cavalos mecânicos e carretas, a empresa recorre à locação em épocas de pico de entrega. Isso porque a frota da operadora logística é desenhada de acordo com a média de vendas por ano, e não para períodos de maior demanda. “Alugamos até sete caminhões nos meses de dezembro e janeiro”, diz José Augusto dos Santos, diretor da unidade de negócios McDonald’s da Martin-Brower. Os contratos de locação são assinados mensalmente e envolvem caminhões especiais, dotados de baús de três temperaturas, para transportar produtos secos, resfriados e congelados, ao mesmo tempo. “Somente valeria a pena investir na compra de mais unidades se esses caminhões fossem usados durante o ano inteiro”, diz Santos.

Grandes empresas que só alugavam utilitários – mais velozes e baratos – também enxergam vantagens na locação de veículos maiores. A DHL Express, especializada em entregas rápidas, tem uma frota terceirizada de 160 automóveis. “Não faz parte do nosso negócio gerenciar carros e multas”, diz Amaury Vitor, diretor de operações da empresa no Brasil. Há três anos, a DHL alugou dois caminhões e agora estuda a possibilidade de locar mais quatro unidades. Os veículos, de até 12 toneladas, são utilizados para a retirada e o embarque de encomendas entre o escritório central da empresa em São Paulo, no bairro da Lapa, e os aeroportos de Guarulhos e Campinas. Com os caminhões, a DHL consegue transportar um volume maior de cargas e ganha tempo usando rotas fora dos horários de pico.

A locação de veículos pode ser vista como uma etapa anterior à terceirização total dos serviços de transportes. É o caso da Sadia, do setor de produção e distribuição de alimentos industrializados. “Toda a frota é alugada porque a idéia é estar de olho somente na nossa atividade-fim, que é a industrialização e a entrega de alimentos”, diz Paulo Striker, diretor de logística da empresa. E não poderia ser diferente: as operações de transporte da companhia envolvem 13 unidades industriais e centros de distribuição espalhados por sete estados. Para isso, são alugados 2 000 caminhões, de diferentes portes, de uma cartela de mais de 100 fornecedores.

Mas nem sempre a locação é o melhor caminho a tomar. Segundo Paulo Roberto Leite, professor da universidade paulista Mackenzie e autor do livro Logística Reversa, a decisão de alugar uma frota depende da estratégia comercial de cada empresa. Por exemplo, algumas corporações do setor químico e alimentício, com grandes volumes de entregas, preferem pilotar seus próprios veículos porque querem garantir a qualidade e integridade das cargas. Outras optam por comprar caminhões especiais, com as cores e a logomarca do grupo que pertencem, para usá-los como ferramentas de marketing com os clientes. “Um belo caminhão transmite uma forte imagem corporativa para o consumidor final”, diz Leite.

O valor da locação depende do prazo do contrato e até do estado de conservação das estradas na região

Opções no mercado

De acordo com especialistas, se sua empresa está considerando a possibilidade de recorrer à locação de veículos, a primeira coisa a fazer é comparar as despesas mensais de uma frota própria com os custos de um mesmo número de caminhões alugados. Feito isso, é importante procurar locadoras que ofereçam veículos com capacidade de sobra para realizar o serviço desejado. É necessário também verificar se o modelo está em bom estado de conservação – um caminhão novo em folha impressiona os clientes, que não precisam saber que sua frota é alugada. E, antes de fechar o contrato, exija a documentação e o seguro do veículo.

Determine também o prazo de locação, de acordo com as necessidades do seu negócio: a maioria das companhias de aluguel oferece contratos com duração de um dia até cinco anos. Na maior parte das empresas, o preço médio do aluguel varia de 2 500 a 4 000 reais por mês, dependendo da capacidade do veículo, tempo de contrato, tipo de serviço a ser feito com o caminhão e até a região de tráfego.

É bom saber que as concessionárias costumam estabelecer o valor da locação de acordo com as estradas onde o veículo vai rodar: vias malconservadas prejudicam o caminhão e exigem horas extras de manutenção. “A grande vantagem é que o cliente não precisa se preocupar com reparos e licenciamento, além de poder substituir o caminhão em caso de acidentes ou problemas técnicos”, afirma Nelson Belém, diretor da Rodobens Locação de Veículos, que faturou 2 milhões de reais com aluguel de caminhões em 2005 – e espera dobrar esse valor em 2006.

A companhia pertence ao grupo Rodobens, sediado em São Bernardo do Campo (SP) e que conta com uma rede de 60 concessionárias, que também funcionam como pontos de apoio para quem precisa de locação. A frota inclui 100 caminhões, além de 400 furgões e utilitários. “Temos modelos leves, médios e pesados, com capacidade de até 30 000 quilos de carga”, diz Belém. Os clientes da Rodobens incluem desde firmas de engenharia, que utilizam os carros para o transporte de materiais e apoio nos canteiros de obras, até distribuidoras, firmas de courrier e transportadoras. Entre 200 contratos ativos, seis são exclusivos de caminhões. A locação é cobrada mensalmente, após a utilização do veículo. O valor, a partir de 2 500 reais, varia conforme critérios como distâncias percorridas, tipo de veículo e área de utilização. Já a duração dos contratos depende dos modelos e da idade dos caminhões, com prazo máximo de cinco anos.

Na Auto Gafor Locadora de Veículos, do Grupo Gafor, são cerca de mil caminhões disponíveis em todo o Brasil. “Temos desde modelos pequenos até veículos para 40 toneladas de carga”, diz o diretor Luiz Carlos Magalhães. Neste ano, a perspectiva é crescer 35% nos negócios de locação, com os atuais contratos e novos clientes. A maioria dos locatários da Gafor são grandes e médias organizações e o valor da locação é definido conforme o tipo de veículo e o serviço a ser feito. “Há uma grande procura também por frotas mais leves, utilizadas nas áreas operacionais e de vendas das empresas”, diz Magalhães.

Segundo Eduardo Vannuchi, presidente da paulista Master Rental, no ramo de locação de caminhões desde 1999, a economia com o aluguel pode chegar a 30%. A Master tem 52 agências em 20 estados e uma frota de 30 caminhões. Seus contratos duram cinco anos e o aluguel custa cerca de 3 000 reais por mês.

Quando for alugar

O que verificar antes de assinar um contrato

1) Compare as despesas mensais da sua frota com o gasto que teria com o mesmo número de caminhões alugados
2) Verifique se o caminhão a ser alugado está em bom estado de conservação
3) Cheque a documentação e o seguro do veículo
4) Estude as necessidades da sua empresa. Os contratos podem ser feitos por um dia ou até cinco anos
5) É possível alugar desde modelos leves até caminhões para dezenas de toneladas
6) Os preços do aluguel variam de 2 500 a 4 000 reais mensais. Os valores dependem de fatores como capacidade de carga, tipo de serviço a ser feito e a região onde o veículo vai rodar
7) Negocie valores, de acordo com a demanda de serviços e a duração do contrato

Jacilio Saraiva

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