Terceira edição do torneio em benefício das crianças com câncer cresce de tamanho e importância, e amealha novos patrocinadores.
» REVISTA GOLF LIFE
Julho de 2006
Ronald McDonald é bem mais do que o palhaço símbolo da rede de fast food mais famosa do mundo. Ele é também o embaixador do Instituto Ronald McDonald, entidade beneficente que há muitos anos se dedica a combater o câncer infanto-juvenil no Brasil.
A maior fonte de renda do Instituto McDonald é o McDia Feliz, do qual todo mundo já participou alguma vez ou ao menos ouviu falar. Mas, desde o ano passado, é a Invitational Golf Cup, torneio de golfe promovido anualmente pelo Instituto, quem garante a segunda maior fonte de recursos do programa de combate ao câncer que beneficia milhares de crianças no país.
“Através das entidades que apoiamos, o Instituto beneficia mais de 2,5 mil crianças por ano”, conta Chico Neves, superintendente do Instituto Ronald McDonald no Brasil. “São 92 instituições cadastradas, das quais cerca de 70 recebem recursos para 85 projetos, algo em torno de R$ 12 milhões por ano, incluindo o arrecadado no golfe e no McDia Feliz”.
Este ano, o dinheiro levantado no torneio de golfe foi todo revertido para uma casa de apoio de São Luís do Maranhão, dentro dos planos do Instituto de descentralizar o atendimento à criança com câncer. “As crianças ficam nessa casa de apoio enquanto recebem tratamento em hospitais da região, o que devolve um pouco da dignidade a elas, pois estão em uma casa, com outras crianças, e não precisam ficar internadas num hospital”, explica Chico.
O superintendente lembra ainda que o apoio a projetos regionais evita que as crianças tenham de viajar para os grandes centros, como São Paulo, com alto custo financeiro e emocional. “Quando são obrigadas a viagens longas, as crianças vêm acompanhadas de um dos pais que acabam largando outros filhos em suas cidades de origem e criam mais problemas para a família”, explica. “A descentralização é um avanço no tratamento”.
Este ano, em sua terceira edição, a chuva fina e persistente, bem que tentou, mas não conseguiu atrapalhar o torneio promovido pela Martin-Brower, e organizado pela Golf For All. Quase 300 empresários foram ao Clube de Campo de São Paulo, na quarta-feira, para aliar o útil ao agradável: contribuir para o Instituto McDonald e praticar seu esporte predileto. Os convidados que ainda não jogavam golfe também puderam passar horas agradáveis no centro de convivência montado especialmente ao lado da sede do clube, onde os patrocinadores ofereciam de tudo, inclusive boas bebidas e deliciosos petiscos.
Outros preferiram conhecer um pouco mais do golfe, participando das aulas de alongamento com professores da Fórmula Academia, e de clínicas, onde alguns dos melhores profissionais do Brasil ensinavam o beabá do esporte.
Mas o ponto alto do dia foi mesmo a demonstração de Carlos Franco. Uma platéia boquaiberta conferiu a facilidade com que o profissional paraguaio fazia o que queria com a bola. Sob chuva fina, uma centena de pessoas acompanhou a exibição do craque que, a pedidos, ia batendo bolas com todos os tipos de efeitos e tacos possíveis.
Terminada a clínica, era hora de todos irem a campo para tentar reproduzir ao menos algumas jogadas demonstradas pelo mestre. O próprio Franco, que completou 41 anos neste dia, fez questão de jogar ao lado de alguns dos patrocinadores, antes de voltar para a longa seqüência de torneios que disputa nos Estados Unidos a partir desta semana.
A idealizadora do torneio é a Martin-Brower, principal parceira do McDonald's no Brasil e no mundo. “Nós fazemos torneios de golfe beneficentes para o Instituto em todo o mundo, em especial nos Estados Unidos e no Canadá, onde temos promoções em várias cidades”, conta Greg Nickele, presidente mundial da Martin-Brower, que veio ao Brasil especialmente para o Invitational Golf Cup. E lembra que alguns desses torneios são bem grandes. “O McDonald LPGA Championship (jogado no início de junho), segundo maior da temporada feminina, é um desses torneios arrecadando milhares de dólares para a entidade”, orgulha-se.
O torneio deste ano arrecadou mais de 400 mil reais líquidos, um crescimento de 50% em relação ao ano anterior. Um resultado que já animou a empresa a confirmar o torneio de 2007. “Nosso objetivo esse ano era superar o torneio do ano passado e conseguimos isso de duas maneiras, não só fazendo um evento maior como arrecadando mais dinheiro”, conta Tupa Gomes, presidente da Martin-Brower para a América Latina.
Tupa lembra que a presença de Carlos Franco, profissional do PGA Tour, foi decisiva para o sucesso. “Conseguimos mais de R$ 600 mil de arrecadação bruta e um número maior de patrocinadores do que em 2005”, explica o empresário, lembrando que nem a chuva atrapalhou. “O evento é muito prazeroso, as pessoas fazem questão de participar e o golfista nem percebe que está chovendo quando entra no campo”. Tupa e Greg foram alguns dos empresários eu jogaram ao lado de Franco.
O grupo que jogou com Franco tinha ainda Choong Bong Cho, presidente da LG no Brasil, e André Martins, da VB Serviços que, de apoiador no ano passado, passou a ser agora um dos principais patrocinadores do torneio.
“A gente viu a qualidade do torneio no ano passado, percebeu a seriedade do Instituto Ronald McDonald e sua responsabilidade social e isso fez com que decidíssemos apoiar o evento de uma forma mais decisiva”, conta o empresário. “Nós fizemos questão de participar desse grupo de empresas que apóia uma causa tão justa, ainda mais se tratando de uma doença que ainda mata tantas pessoas no Brasil.”
Depois do jogo, mais diversão, com uma trupe de circo fazendo malabarismos incríveis numa cama elástica e com artistas fazendo performances entre o público. Havia de tudo, incluindo comedores de fogo em pernas de pau, que indicavam o caminho para a cerimônia de entrega de prêmios.
O ponto alto do dia foi o jantar de encerramento, onde foram leiloados um quadro de Manabu Mabe, doado pela família do artista plástico, e uma camisa da seleção brasileira autografada por dezenas de craques, que foi arrematada por oito mil reais pela turma da VB Serviços.
Mas eles não levaram a camisa para casa. Doaram o precioso prêmio para ser leiloado novamente pelo Instituto Carlos Franco, dirigido pela mulher do profissional, que se dedica a ajudar as crianças paraguaias com hidrocefalia. Um presente de aniversário que nem o próprio Franco esperava.
Nascido em uma favela de Assunção, Franco conheceu a pobreza, a fome e a miséria, antes que o golfe o ajudasse a dar a volta por cima. Depois de chegar entre os 20 primeiros do mundo, vencer quatro torneios no PGA Tour e ganhar alguns milhões de dólares, Franco se dedica agora a ajudar causas beneficentes, como uma entidade que mantém no Paraguai e o torneio de golfe do Instituto Ronald McDonald, que o trouxe ao Brasil na semana passada, bem no dia de seu 41º aniversário. “Para mim, é um prazer ter vindo ao Brasil convidado por essas pessoas que ajudam as crianças com câncer”, diz Franco. “Eu gosto de fazer esse tipo de trabalho e faço o possível para ajudar uma causa tão importante como essa”.
O próprio Franco mantém uma entidade no Paraguai que ajuda as crianças com hirocefalia, cujo tratamento, além de doloroso, é caro. “Os patrocinadores desse torneio também ajudam minha entidade e nada mais justo do que juntarmos nossas forças para trabalhar para as crianças que necessitam de ajuda”.
Franco lembra que nasceu numa família muito pobre, numa favela paraguaia, onde as oito pessoas de sua família dividiam um único cômodo sem saneamento e com chão de terra batida, e que teve a sorte de através de seu trabalho, sair da miséria. “Graças a Deus, consegui mudar essa condição e, agora que posso, tenho a obrigação de ajudar, pois sei como essas crianças precisam da gente”.
O profissional paraguaio já venceu duas vezes o Aberto do Brasil e diz que só não volta porque não é convidado. “Acho que depois que venci duas vezes eles desistiram de me chamar”, brinca, ao mesmo tempo em que lembra a situação difícil por que passam os profissionais.
“O Brasil é um país muito grande e espero que possa fazer mais competições profissionais para que os jogadores de talento tenham condição de melhorar e jogar nos Estados Unidos e na Europa”.
Carlos Franco aproveitou para convidar os brasileiros para participar do IV Invitational Carlos Franco, torneio que ele organiza anualmente em seu próprio campo, no Paraguai, e que reúne a elite do golfe sul-americano. O evento deste ano vai ter patrocínio da TAM Mercosul, através do comandante Alberto Fajerman, que assumiu a presidência regional em maio.
“Não só vamos patrocinar o torneio de Carlos Franco, como vamos organizar uma série de competições no Rio e em São Paulo para classificar jogadores amadores para irem jogar no Paraguai”, conta Fajernam que, enquanto foi vice-presidente da Varig também apoiou decisivamente o golfe brasileiro.
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