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Notícias » Imprensa » Ano 2005 »

Martin-Brower abastece restaurantes da rede McDonald´s de todo o Brasil

JORNAL DO COMÉRCIO, Logística
Novembro de 2005

CD centraliza produtos de 80 fornecedores
e distribui para 550 restaurantes

A gestão de cadeias de suprimentos é praticada a partir de um conjunto de abordagens que são empregadas como forma de integrar fornecedores e varejistas. A integração desses setores permite organizar sistemas comerciais, produtivos e de distribuição com o objetivo de minimizar os custos e de dar eficiência à distribuição de produtos e sérvios. Além das questões relativas à coordenação do fluxo de produtos e de informações, o planejamento e controle de cadeias de suprimento precisa considerar também as políticas para desenvolvimento e seleção da base de fornecedores. Paralelamente devem ser planejadas abordagens para o projeto e gestão de eventuais conflitos em canais de distribuição. Essa reportagem mostra um pouco dessa gestão de suprimentos e de ferramentas utilizadas pela operadora logística Martin-Brower.

Quem garante o fluxo de informações e de produtos como pães, hambúrgueres, alface, queijos, copos, entre os 80 fornecedores credenciados pela McDonald´s e os 550 restaurantes da rede no Brasil. É a operadora logística Martin-Brower. A operadora recebe as mercadorias, entregues pelos fornecedores, no Centro de Distribuição, em São Paulo, de onde, depois de consolidar a carga, transfere cinco vezes por semana para os CD Sul e três vezes para o CD Nordeste. Nos casos em que o consumo do produto corresponde a uma carreta inteira, com capacidade para 28 paletes, a entrega é feita diretamente nos CD´s, localizados no Paraná e Recife. "Para otimizar o abastecimento do CD é feita uma programação de envio de carretas com produtos de temperatura ambiente, produtos congelados, secos e mistos. Uma vez por semana é feita uma análise do consumo possível da semana seguinte, o que determina se a coleta vai ser mista ou vai ser de uma temperatura só", destaca o Diretor José Augusto R. Santos, responsável pela unidade McDonald´s.

A maior parte dos fornecedores está em São Paulo. O restante está distribuído no Paraná (queijos), Goiás (queijos) e Minas Gerais. O armazém principal de São Paulo, em formato de L, localizado no Condomínio Food Town, Osasco, está posicionado entre o único fornecedor de pão e um dos dois fornecedores de carne. A MB mantém de cinco a seis dias de estoque nos três CD´s de onde saem as carretas carregadas para abastecer os restaurantes.

Ao entrarem nos armazéns da MB, todos os produtos resfriados e congelados passam por um controle de qualidade com base na aparência e temperatura do produto. "No caso da alface, por exemplo, eu abro aleatoriamente algumas caixas, por amostragem, para ver a cor do produto, se não está oxidado, e meço a temperatura também", diz Santos. Baseado nas informações dos restaurantes, a MB entrega uma previsão de compras de oito semanas aos fornecedores para programarem o abastecimento de matérias-primas e planejar a produção. A providência permite também que as lojas mantenham o menor estoque, baseado no consumo, que geralmente gira em torno de uma semana.

A febre aftosa, que restringiu o trânsito de animais e carne entre os estados do Sul, está causando muitos transtornos à MB. O maior deles é a dificuldade para transportar os produtos para os restaurantes de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Para contornar o problema, a MB está buscando alternativas. Entre elas a seleção de fornecedores locais. A operadora também está atenta às alterações na liberação do trânsito dos produtos na divisa do Rio Grande do Sul. "O estado de Santa Catarina já liberou a fronteira para produtos lácteos e frango, mas não para carne", revela.

Carretas especiais e a disposição de produtos facilitam as entregas

A freqüência de entrega dos produtos nos restaurantes varia de duas a três vezes por semana, de acordo com um planejamento que garanta o menor estoque possível. A equação considera o volume de vendas e o tamanho do armazém interno e do freezer. Para definir o dia de recebimento das mercadorias, o restaurante fornece uma janela de entregas para a MB indicando os dias e horários mais adequados - geralmente, períodos com menor público e sem restrições de tráfego. A partir destas informações a MB estabelece a rota de entrega com a preocupação de que também seja o trajeto mais econômico e que assegure a melhor ocupação das carretas. Para este ano estão previstas 14,5 mil rotas em todo o Brasil.

A Martin-Brower utiliza uma frota de 84 veículos para distribuição dos produtos nos restaurantes. Estas carretas possuem tecnologia para medição de três temperaturas e divisórias móveis que permitem mudar a configuração para duas temperaturas ou apenas para uma temperatura. "A configuração mais utilizada é a de três temperaturas porque permite que os restaurantes recebam todos os produtos de uma só vez", afirma Santos.

Além disso, os veículos contêm quatro portas laterais para facilitar a carga e descarga. "Se a entrega ocorrerá pelo lado direito, o produto é colocado do lado direito", explica Santos. A acomodação dos produtos nas carretas é feita de acordo com o trabalho do motorista durante o descarregamento. Para saber onde as mercadorias estão posicionadas no veículo e para qual restaurante deve ser entregue, na hora da descarga, o motorista sai com um mapa de carregamento feito pelos Operadores de Armazém. "O mapa indica onde está cada produto no caminhão, qual o restaurante, a rota, se é o primeiro, o segundo ou o terceiro da rota e, também, se o descarregamento é pela esquerda ou pela direita".

No local de entrega, o motorista disponibiliza os produtos na porta da carreta e o restaurante coloca pesssoas para fazer o descarregamento, da porta do caminhão até os armazéns do restaurante. Existe um padrão de taxa de descarga que estabelece quantas caixas por hora devem ser descarregadas e esse tempo é utilizado para definir as rotas. "Hoje, em lojas de ruas, o padrão de movimentação é de 230 caixas por hora. Em lojas de shoppings e em supermercados, o tempo de descarga é mais lento: em torno de 140 caixas por hora", diz Santos.

Automatização melhora relações com as franqueadas

Para automatizar o relatório de entrega e medir o desempenho do motorista e da carreta, os veículos de entrega são equipados com um palm top. No equipamento são inseridos os relatórios de entrega indicando a temperatura da chegada dos produtos no restaurante, a avaliação da entrega e possíveis reclamações dos gerentes dos restaurantes.

Outra forma de comunicação importante é o portal de relacionamento na Internet, usado pelos restaurantes para emitir pedidos, consultar rotas de entrega, fazer reclamações e receber comunicados de atraso de veículos. Além disso, dentro do portal McPlace o franqueado pode imprimir boleto bancário e consultar manuais de operação da MB. O software é o JD Edwards, que redistribui a informação dos pedidos para as áreas operacional e contábil para gerar o planejamento enviado aos fornecedores.

Cláudia Borges

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