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Setembro de 2009
O II Congresso Internacional de Food Service 2009 – O Poder da Alimentação Fora do Lar, promovido pela ABIA (Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação) reuniu no dia 29 de setembro, no Teatro Popular do Sesi, em São Paulo, cerca de 500 profissionais que atuam no food service – reconhecidamente como o setor que mais cresce na economia nacional. O evento que teve a Martin-Brower como uma de suas patrocinadoras contabilizou sete importantes apresentações sobre temas de grande interesse para os empreendedores da área.
Na abertura do evento Edmundo Klotz, presidente da ABIA, anunciou que depois de evoluir 15,7% em 2008, a alimentação fora de casa no Brasil deverá ter expansão de 9% este ano. O segmento já é responsável, conforme dados de 2008, por 22% das vendas da indústria alimentícia brasileira. Isto significou um resultado de R$ 58,2 bilhões. “Promovemos este evento para difundir novos conhecimentos sobre um setor que se tornou um importante canal de negócios. Esperamos, assim, dar mais uma contribuição para o aprimoramento e a ampliação do mercado, constituído por estabelecimentos como restaurantes, padarias e lojas de conveniência”, frisou Edmundo Klotz.
Após a abertura do evento a palestra internacional foi oferecida pela Martin-Brower, que trouxe pela primeira vez ao Brasil, Boyd F. Jordan, presidente da Reinhart Food Service, empresa do Grupo Reyes Holdings da qual a MB também faz parte. Jordan falou para a platéia juntamente com Tupa Gomes, diretor geral da Martin-Brower América Latina, sobre a importância do mercado de food service nos EUA. Em sua palestra Boyd F. Jordan reforçou que os desafios brasileiros enfrentados neste setor, são bem parecidos com os do Exterior.
Ainda segundo o executivo, os norte-americanos comem mais fora de casa do que os brasileiros. Naquele país cerca de 45% da população se alimenta fora de casa, enquanto no Brasil, esse número chega a 25%. “As empresas brasileiras apresentam crescimento vibrante. Muitas marcas que migraram dos EUA para cá, cresceram muito. Adoraríamos ter o crescimento do food service brasileiro no mercado americano", disse ressaltando que o crescimento do setor de food service nacional deve passar pelos mesmos desafios que os EUA passaram há 30 anos.
Destacando as possibilidades existentes para o Brasil se desenvolver ainda mais neste setor, Tupa Gomes falou da urgência do food service buscar uma profissionalização integral, principalmente agora que uma cidade brasileira foi escolhida para sediar um evento da dimensão e importância turística das Olimpíadas. “Este setor tem grande potencial de crescimento nos próximos períodos, mas para crescer com segurança os operadores de food service têm um grande desafio pela frente que é se profissionalizar muito para ter capacidade não só de atender a demanda nacional, mas principalmente para atender com qualidade e com segurança alimentar já que o turista estrangeiro que virá para grandes eventos como Copa e Olimpíadas buscam encontrar o mesmo nível de qualidade dos restaurantes de seus países de origem”, explica.
O II Congresso Internacional de Food Service 2009 apresentou ainda algumas tendências para o food service. Dario Caldas, sociólogo e diretor do Observatório de Sinais, que ministrou a palestra “Tendências 2010-2011 e sua aplicação estratégica em Food Service para o mercado”, disse ser preciso estimular a criação de novos nichos, ou seja, segmentos específicos de consumo, e colocá-los em perspectiva. “A homogeneização das redes de restaurantes e a mudança do perfil do consumidor ajudam a formular ações para captação de novos mercados específicos de consumo”. Um dos importantes nichos ressaltados pelo sociólogo é o público feminino. “É o “womenomics”, que está causando um impacto profundo nos modos de produzir, consumir e na gestão das empresas”. “Mulheres já chefiam um terço dos lares brasileiros e são grandes consumidoras, tendo apenas 70% da renda dos homens. E a equiparação salarial é apenas questão de tempo”, frisou. “Os produtos tendem a dialogar mais com elas”.
As lojas de conveniência em postos de gasolina também têm sido uma tendência que só cresce no Brasil. Luiz Felipe Monteiro Fausto Barreto, gerente de Food Service da Cosan Combustíveis e Lubrificantes SA, explicou a importância que o segmento de food service tem para as redes de conveniência, que já representa crescimento de 20% no setor de combustíveis. Segundo o executivo, o aumento do consumo alimentício nas lojas de Conveniência da rede ESSO aumenta expressivamente ano a ano. Em janeiro de 2007 foram consumidas 60 mil xícaras de café. Em julho de 2009 as vendas saltaram para 170 mil xícaras. “Sem food service na conveniência, não há futuro”, salientou.
Já reconhecidas como um importante segmento dentro do food service, as padarias são vistas como um multicanal dentro do setor. Durante a palestra dos representantes da Panificadora Cepam, João Diogo, sócio-proprietário, e Reinaldo Bertagnon, diretor executivo, comprovou-se essa importância. “Nosso estabelecimento foi inaugurado em 1968 com 60 metros quadrados, e ao investirmos em food service atraímos mais clientes. A partir daí percebemos a necessidade de expandir o espaço físico da Padaria que hoje é de 2.300 metros quadrados”. A Cepam recebe 100 mil pessoas por mês.
Salim Boulos Maroun, presidente da rede Outback Steakhouse, falou sobre o modelo de administração ideal para redes de food service. Para ele, o foco na gestão de pessoas é importantíssimo para manter a rede de colaboradores do negócio sempre motivada, o que reflete diretamente na qualidade dos serviços prestados e no atendimento ao cliente. "Nossos outbackers são orientados a sempre se perguntarem: o que posso fazer para tornar a visita do meu cliente mais agradável". No mundo inteiro, a rede tem 1,6 mil restaurantes, com sete conceitos diferentes, sendo que, o maior faturamento é no segmento de casual dining (os clientes permanecem mais tempo no restaurante, sentam-se à mesa e consomem tíquete médio maior que um fast food americano.